O e-mail foi criado numa época em que ninguém esperava que o endereço do remetente pudesse ser mentira. Nada no protocolo original impede que uma máquina qualquer da internet se conecte a um servidor de e-mail e afirme ser você. É essa falha que faz o phishing funcionar, e é por isso que hoje três padrões baseados em DNS, SPF, DKIM e DMARC, decidem se a sua mensagem chega à caixa de entrada ou à pasta de spam.
Os três vivem nos registros DNS do seu domínio, então você pode inspecionar a configuração de autenticação de qualquer domínio, inclusive o seu, com nada além de uma consulta DNS. Este guia explica o que cada registro faz, como lê-lo e como chegar a uma política DMARC rígida sem bloquear por acidente as suas próprias faturas.
Para verificar os três registros de uma vez, incluindo a contagem de consultas SPF e o tamanho da sua chave DKIM, use nosso verificador de SPF, DKIM e DMARC.
Por que a autenticação de e-mail importa
Duas coisas mudaram nos últimos anos. Os atacantes ficaram muito melhores em imitar marcas confiáveis, e os grandes provedores de caixa postal responderam tornando a autenticação praticamente obrigatória. Gmail e Yahoo já exigem SPF, DKIM e DMARC de quem envia em volume, e a Microsoft seguiu o mesmo caminho. Se os seus registros estiverem ausentes ou quebrados, as consequências são imediatas e bem práticas:
- Suas mensagens são filtradas. Mensagens não autenticadas vão para a quarentena com muito mais frequência e às vezes são rejeitadas antes de chegar a qualquer caixa.
- Qualquer um pode falsificar o seu domínio. Sem uma política DMARC, o servidor que recebe não tem instrução alguma para rejeitar mensagens forjadas com o seu nome.
- Você fica cego para abusos. Os relatórios DMARC são a única forma de descobrir que alguém está enviando phishing em seu nome.
- Negócios travam. Questionários de segurança e avaliações de fornecedores pedem uma política DMARC, e «none» é cada vez mais tratado como uma falha.
Os três registros em resumo
| Registro | Pergunta que responde | Onde fica |
|---|---|---|
| SPF | Quais servidores podem enviar e-mail por este domínio? | Registro TXT no próprio domínio |
| DKIM | A mensagem foi alterada, e foi assinada pelo domínio? | Registro TXT em seletor._domainkey.example.com |
| DMARC | O que o destinatário deve fazer quando SPF e DKIM falham? | Registro TXT em _dmarc.example.com |
São camadas, não alternativas. O SPF verifica o servidor que envia, o DKIM verifica a mensagem, e o DMARC liga os dois ao domínio que a pessoa realmente vê no cabeçalho From e diz o que fazer quando algo falha. Você precisa dos três.
SPF: quem pode enviar pelo seu domínio
O Sender Policy Framework é uma lista pública dos servidores autorizados a enviar e-mail pelo seu domínio. O servidor que recebe pega o endereço IP que se conectou, consulta o seu registro SPF e verifica se esse endereço está na lista.
Como ler um registro SPF
Um registro típico se parece com isto:
v=spf1 include:_spf.google.com include:sendgrid.net ip4:203.0.113.10 ~all
Leia da esquerda para a direita. v=spf1 é a versão e tem de vir primeiro. Cada include: puxa o registro SPF de outro domínio, que é como se autoriza um provedor como o Google Workspace ou um serviço de e-mail transacional. ip4: e ip6: autorizam endereços ou faixas específicas, em geral o seu próprio servidor. O último mecanismo é o curinga, e é o que mais gente erra:
-allé falha rígida. Tudo o que não está listado não está autorizado, e espera-se que o destinatário rejeite.~allé falha suave. Remetentes não listados são suspeitos, mas aceitos, normalmente com penalidade de spam.?allé neutro e não diz nada ao destinatário, o que anula o sentido de publicar o registro.
Comece com ~all enquanto confirma que todos os remetentes legítimos estão listados e aperte para -all quando os seus relatórios DMARC estiverem limpos.
O limite de dez consultas
O SPF permite no máximo dez consultas DNS ao avaliar um registro. Cada include:, a, mx e redirect conta, inclusive os aninhados. Passar do limite resulta em erro permanente, que a maioria dos destinatários trata como ausência total de SPF. Três ou quatro provedores de e-mail já costumam estourar o limite, então audite o registro sempre que adicionar um serviço de envio e remova provedores que deixou de usar.
Há outra regra que surpreende: um domínio pode publicar apenas um registro SPF. Dois registros TXT com v=spf1 no mesmo nome são erro permanente, não uma fusão.
DKIM: assinar as suas mensagens
O DomainKeys Identified Mail acrescenta uma assinatura criptográfica a cada mensagem que sai. O seu servidor guarda uma chave privada e assina determinados cabeçalhos mais o corpo; a chave pública correspondente é publicada no DNS. O destinatário busca a chave pública, verifica a assinatura e aprende duas coisas: a mensagem realmente foi assinada pelo seu domínio e nada do que ela cobria foi modificado no caminho.
A chave pública fica num nome construído a partir de um seletor, por exemplo google._domainkey.example.com ou s1._domainkey.example.com. Os seletores existem para que você possa manter várias chaves ao mesmo tempo, e é isso que torna a rotação indolor: publique um seletor novo, mude a assinatura para ele e aposente o antigo mais tarde.
Como a assinatura viaja com a mensagem, o DKIM sobrevive a encaminhamentos nos quais o SPF falha. Se uma lista de discussão repassa a sua mensagem, o IP que conecta muda e o SPF falha, mas a assinatura DKIM continua válida desde que a lista não reescreva os cabeçalhos assinados nem o corpo. Essa resistência é o principal motivo pelo qual o DKIM importa mesmo quando o SPF já existe.
DMARC: dizer ao destinatário o que fazer
SPF e DKIM produzem cada um um «passou» ou um «falhou», mas nenhum diz o que o destinatário deve fazer, e nenhum olha o endereço From que a pessoa realmente lê. O DMARC preenche as duas lacunas. Um registro se parece com isto:
v=DMARC1; p=quarantine; rua=mailto:dmarc@example.com; pct=100; adkim=s; aspf=r
p= é a política: none (apenas monitorar), quarantine (tratar falhas como spam) ou reject (recusar na porta). rua= é o endereço que recebe os relatórios agregados diários, e é a parte mais valiosa do registro. pct= permite aplicar a política a uma porcentagem das mensagens durante a implantação.
O alinhamento, a parte que quase todos ignoram
O DMARC não exige apenas que SPF ou DKIM passem. Exige que o domínio que passou esteja alinhado com o domínio do cabeçalho From visível. Uma mensagem pode passar no SPF para mailer.vendor.com e ainda assim falhar no DMARC para example.com, porque os dois não coincidem. Esse é, de longe, o motivo mais comum de uma configuração aparentemente correta continuar falhando.
adkim e aspf controlam o rigor da correspondência. Relaxado (r, o padrão) aceita um subdomínio como mail.example.com; rígido (s) exige igualdade exata. Comece relaxado. O DMARC passa se qualquer um entre SPF e DKIM passar e estiver alinhado, então uma única assinatura DKIM alinhada já basta.
Como aplicar uma política com segurança
- Publique
p=nonecom um endereço de relatórios. Nada muda no seu fluxo de e-mail, mas os relatórios começam a chegar. - Leia os relatórios por duas a quatro semanas. Eles revelam serviços de envio esquecidos: o CRM, o suporte, a ferramenta de faturamento, a antiga plataforma de marketing.
- Feche as lacunas. Acrescente cada remetente legítimo ao SPF, ative a assinatura DKIM com domínio alinhado e confirme a mudança no relatório seguinte.
- Passe para
p=quarantine. Usepct=para subir aos poucos se você envia em volume. - Termine em
p=reject. Só quando os relatórios não mostrarem mais nenhuma mensagem legítima falhando. É essa a política que de fato impede a falsificação.
Como verificar os seus próprios registros
Os três são registros TXT públicos, então a verificação leva segundos:
- SPF. Faça uma consulta TXT no seu domínio sem subdomínio com a ferramenta de consulta DNS e encontre a cadeia que começa com
v=spf1. Confirme que existe exatamente uma e conte as consultas. - DMARC. Faça uma consulta TXT em
_dmarc.mais o seu domínio. Se não voltar nada, você não tem política nem relatórios. - DKIM. Faça uma consulta TXT em
seletor._domainkey.mais o seu domínio. A documentação do seu provedor indica o seletor usado. - Verifique ponta a ponta. Envie uma mensagem para uma conta de um grande provedor e inspecione os cabeçalhos recebidos. A visão «Mostrar original» do Gmail informa os resultados de SPF, DKIM e DMARC da mensagem que você acabou de enviar, e é o único teste que cobre a cadeia inteira.
Já que está no DNS, vale confirmar o restante da sua configuração de e-mail: veja se os seus registros MX apontam para onde você espera e se o nome no certificado do servidor corresponde, o que você pode checar com o verificador de certificados SSL.
Erros comuns a evitar
- Dois registros SPF. Junte-os em um só. Dois são erro permanente.
- Deixar o DMARC em
p=nonepara sempre. Monitorar é ponto de partida, não destino. Sóquarantineourejectimpede a falsificação. - Não informar endereço de relatórios. Um registro DMARC sem
rua=joga fora a informação necessária para endurecer a política com segurança. - Esquecer domínios estacionados. Domínios que não enviam e-mail devem publicar
v=spf1 -allep=reject, justamente porque atacantes preferem domínios sem uso. - Pular direto para o alinhamento rígido.
adkim=seaspf=santes de relatórios limpos vão quebrar mensagens legítimas vindas de subdomínios. - Ignorar o TTL. Um TTL alto num registro TXT faz uma correção demorar horas para se propagar. Baixe-o antes de uma migração e aumente-o depois.
Autentique o seu e-mail hoje
A autenticação de e-mail é uma das poucas tarefas de segurança com retorno inequívoco: melhor entregabilidade, visibilidade sobre abusos e um domínio que não se falsifica com facilidade. Além disso é totalmente legível de fora, então não há motivo para adivinhar a sua própria configuração. Comece com uma consulta TXT no seu domínio usando a ferramenta gratuita de consulta DNS, leia o que está realmente publicado e percorra a implantação acima passo a passo.
Ferramentas e guias relacionados:
- Consulta DNS – consulte registros TXT, MX, SPF e todos os outros de qualquer domínio.
- Consulta DNS: o guia completo – cada tipo de registro explicado.
- Verificador de certificados SSL – inspecione o certificado do seu servidor de e-mail ou web.
- Códigos de status HTTP – referência rápida de todos os códigos de resposta.
- Por que o seu registro SPF continua falhando (e como corrigir) - o limite de dez consultas, includes quebrados e outros motivos de falha do SPF.
Perguntas frequentes
Preciso dos três, SPF, DKIM e DMARC?⌄
Sim. O SPF autoriza servidores de envio, o DKIM prova que a mensagem não foi alterada e o DMARC é o único que verifica o endereço From visível e diz ao destinatário o que fazer quando algo falha. SPF e DKIM sem DMARC deixam o seu domínio falsificável; DMARC sem os outros dois não tem o que avaliar.
Por que o meu e-mail falha no DMARC se o SPF passa?⌄
Quase sempre é alinhamento. O DMARC exige que o domínio que passou no SPF coincida com o do cabeçalho From. Mensagens repassadas por um provedor costumam passar no SPF para o domínio do próprio provedor, que não se alinha com o seu. Ativar a assinatura DKIM com o seu domínio normalmente resolve, porque o DMARC passa se qualquer um dos mecanismos passar e estiver alinhado.
A política p=reject é arriscada?⌄
Só é arriscada se você chegar lá antes de ler os seus relatórios agregados. Fique de duas a quatro semanas em p=none, corrija todos os remetentes legítimos revelados pelos relatórios, passe por quarantine e então rejeite. Nessa ordem, reject raramente causa problemas, e é a única política que realmente bloqueia mensagens falsificadas.
Quantas consultas DNS o meu registro SPF pode usar?⌄
Dez. Cada mecanismo include, a, mx e redirect conta, inclusive os que estão dentro de registros aninhados. Ultrapassar produz um erro permanente que a maioria dos destinatários trata como ausência de registro SPF, então audite o registro a cada novo provedor de e-mail.
Como vejo agora o que os meus registros dizem?⌄
Faça uma consulta TXT no seu domínio para o SPF, em _dmarc.seudominio.com para o DMARC e em seletor._domainkey.seudominio.com para o DKIM. A ferramenta de consulta DNS faz as três no seu navegador, e como os registros são públicos você pode checar qualquer domínio assim.
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